Em poucos anos, a Saúde Sim construiu uma operação que atendia cerca de 72 mil beneficiários e movimentava aproximadamente R$ 120 milhões por ano. O modelo de negócio ampliava o acesso à saúde suplementar. A estrutura parecia consolidada. Até que uma sequência de fraudes começou a comprometer a sustentabilidade da operação, entre elas:
- Fraudes em reembolsos;
- Manipulação de informações clínicas;
- Uso indevido de planos de saúde;
- Esquemas para aumentar cobranças indevidamente.
Segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, em parceria com a Ernst & Young, as perdas provocadas por fraudes na saúde suplementar alcançaram R$ 34 bilhões em 2023. O número ajuda a dimensionar um problema que vai além dos casos registrados. Muitas empresas encerram suas atividades antes mesmo que o impacto seja incorporado às estatísticas.

A realidade também não se limita à saúde. Levantamento da IBM Security mostra que 62% dos ataques cibernéticos têm pequenas e médias empresas como alvo. O motivo não está apenas na disponibilidade de recursos financeiros. Operações menores costumam trabalhar com estruturas mais enxutas, menor integração entre sistemas e capacidade reduzida para responder rapidamente quando um padrão suspeito surge. É justamente essa combinação que torna a fraude um problema operacional antes mesmo de se tornar um problema financeiro.
Um problema que vai além da saúde
Ao contrário da percepção mais comum, empresas raramente deixam de existir por causa de um único grande golpe. O desgaste costuma acontecer aos poucos. Cada fraude aumenta o custo operacional, reduz a confiança entre clientes, parceiros e fornecedores, exige novas verificações e torna processos que antes eram simples cada vez mais lentos.
Quando esse ciclo se instala, o prejuízo deixa de estar restrito ao caixa. Ele passa a afetar a própria capacidade da empresa de operar.
O documentário A Nova Economia do Engano utiliza o caso da Saúde Sim para discutir exatamente essa transformação. A fraude deixou de ser um risco tratado apenas por áreas de segurança ou tecnologia. Hoje, ela influencia decisões de negócio, experiência do cliente, sustentabilidade financeira e continuidade operacional.
Com base nas análises dos especialistas reunidos no documentário, este artigo discute como o crime digital se profissionalizou, por que pequenas e médias empresas se tornaram alvos preferenciais e qual o papel de uma infraestrutura de confiança na construção de operações capazes de responder a um ambiente em constante mudança.
Como a fraude destrói uma operação por dentro
Empresas raramente entram em crise depois de um único episódio de fraude.
O desgaste é gradual, não repentino.
Na maior parte das vezes, o desgaste acontece aos poucos. Um pagamento indevido exige uma auditoria. Um documento adulterado leva a uma nova etapa de conferência. Um cadastro irregular aumenta o volume de revisões manuais. Processos que funcionavam com agilidade passam a depender de verificações constantes, enquanto custos operacionais crescem e a confiança entre os participantes da operação começa a se deteriorar.

O impacto vai além das perdas financeiras. Quando a fraude se torna recorrente:
- Decisões passam a ser tomadas sob suspeita;
- Equipes dedicam mais tempo à validação de casos do que à evolução da operação;
- Parceiros passam a ser monitorados com mais rigor;
- Clientes enfrentam processos mais lentos.
O ambiente inteiro se torna mais caro e menos eficiente.
O que aconteceu na Saúde Sim
No documentário A Nova Economia do Engano, Bruno Araújo, ex-diretor de Operações da empresa, relata que os indícios apareciam de diferentes formas:
- Prestadores que adulteravam o peso de pacientes oncológicos para aumentar o faturamento de medicamentos de alto custo;
- Casos de irmãos gêmeos utilizando o mesmo plano de saúde;
- Consultas cobradas que nunca chegaram a acontecer.
"Identificamos desde fraudes em que um prestador adulterava o peso de pacientes oncológicos para faturar mais em medicamentos até casos de um irmão gêmeo usando o plano de saúde do outro. A sustentabilidade da empresa foi corroída com esses golpes em série." — Bruno Araújo, ex-diretor de Operações da Saúde Sim
Nenhuma dessas ocorrências, isoladamente, explicava o cenário enfrentado pela operadora. O problema estava na frequência com que surgiam e no efeito acumulado sobre a operação. Cada novo caso exigia mais verificações, mais controles e mais recursos para confirmar aquilo que antes era tratado como rotina. Ao mesmo tempo em que as perdas financeiras aumentavam, também crescia o esforço necessário para manter a operação funcionando.
Bruno Araújo resume esse processo ao afirmar que a fraude altera a relação entre todos os participantes da cadeia.
"Nós éramos apaixonados pela missão de dar acesso à saúde. Porém, quando a confiança é quebrada, cada fatura se torna uma dúvida, e o prejuízo se torna sistêmico."
Esse talvez seja um dos efeitos menos discutidos da fraude. Ela não compromete apenas indicadores financeiros. Compromete a previsibilidade da operação. Quando a confiança desaparece, cada nova interação precisa ser confirmada, cada documento exige mais atenção e cada processo passa a consumir mais tempo do que deveria.
É nesse momento que a fraude deixa de ser um incidente de segurança e passa a afetar a capacidade da empresa de crescer, atender clientes e sustentar o próprio negócio.
Fraude como Serviço: a profissionalização do crime digital
Durante muito tempo, aplicar um golpe em larga escala exigia conhecimento técnico, infraestrutura e tempo. Essa barreira diminuiu.

Fraude como Serviço: um mercado organizado
Hoje, ferramentas, bases de dados, documentos falsificados e modelos de ataque circulam com facilidade em comunidades especializadas, reduzindo o esforço necessário para executar fraudes cada vez mais sofisticadas. O resultado é um cenário em que novas variações surgem rapidamente e podem ser reproduzidas por diferentes grupos quase imediatamente.
Ergon Cugler, pesquisador do Laboratório DesinfoPop da FGV, observa esse movimento ao analisar mercados clandestinos que operam em plataformas digitais.
"Se antes falávamos de um indivíduo vendendo para outro, agora vemos comunidades comercializando para grandes públicos, o que resulta em golpes muito mais bem aplicados."
Segundo o pesquisador, apenas no Telegram a oferta de medicamentos falsificados e documentos médicos fraudulentos cresceu mais de vinte vezes desde 2018. O dado mostra como o crime digital deixou de depender de iniciativas isoladas para funcionar como uma rede organizada de distribuição de ferramentas, informações e serviços.
No mercado de segurança, esse modelo ficou conhecido como Fraud as a Service, ou Fraude como Serviço. Nesse formato, grupos especializados desenvolvem diferentes etapas da fraude e as disponibilizam para terceiros:
- Bases de dados vazadas;
- Documentos falsificados;
- Infraestrutura de bots;
- Campanhas de phishing;
- Identidades sintéticas prontas para uso.
Quem executa o golpe já não precisa dominar todo o processo, basta combinar essas peças. Essa especialização aumentou a velocidade com que novas técnicas chegam às operações.
Por que pequenas e médias empresas ficam mais expostas
Grandes empresas passaram os últimos anos fortalecendo suas estruturas de prevenção, impulsionadas pelo volume de transações, pelas exigências regulatórias e pelo impacto financeiro que a fraude representa. Pequenas e médias empresas, por outro lado, costumam operar com equipes reduzidas, menor integração entre sistemas e menos capacidade para acompanhar essa evolução no mesmo ritmo.
Essa diferença de maturidade cria um ambiente especialmente favorável para os fraudadores. Quanto menor a capacidade de identificar padrões, compartilhar sinais de risco e responder rapidamente a novas abordagens, maior tende a ser a exposição da operação. O desafio deixa de ser apenas impedir um ataque específico, passa a ser acompanhar uma ameaça que evolui continuamente.
Fraude e golpe exigem respostas diferentes, mas fazem parte do mesmo problema
Nem toda perda financeira acontece da mesma forma. Em alguns casos, o criminoso compromete diretamente um sistema. Em outros, convence uma pessoa a tomar uma decisão que favorece o ataque. As duas situações geram prejuízo, mas exigem formas diferentes de prevenção.
Dois exemplos, uma mesma falha de verificação
No documentário A Nova Economia do Engano, essa diferença aparece de forma recorrente.
Na Saúde Sim, parte das irregularidades envolvia a manipulação de informações utilizadas para faturamento. Alterações em prontuários, inconsistências cadastrais e uso indevido de identidades exploravam fragilidades nos processos de validação e na circulação das informações entre diferentes sistemas.
Já no setor jurídico, o mecanismo costuma seguir outro caminho. Leonardo Sica, presidente da OAB São Paulo, relata que um dos golpes mais frequentes ocorre quando criminosos entram em contato com clientes se passando pelo advogado responsável pela ação e solicitam pagamentos por Pix sob a justificativa de custas processuais ou liberação de valores.
"O golpe mais comum é alguém se passar pelo seu advogado, entrar em contato com você e pedir honorários ou taxas judiciais. Aproveita da rapidez. Um WhatsApp, um Pix, isso se resolve em poucos segundos."

Embora utilizem estratégias diferentes, os dois exemplos compartilham um ponto em comum. Ambos exploram falhas de verificação. No primeiro caso, faltam mecanismos capazes de validar informações críticas antes que elas produzam efeitos financeiros. No segundo, a vítima não dispõe de elementos suficientes para confirmar se a pessoa do outro lado da conversa é realmente quem afirma ser.
O que é uma infraestrutura de confiança
Esse cenário mostra que proteger uma operação não significa apenas impedir invasões ou identificar documentos falsificados. Também exige validar identidades, interpretar sinais de comportamento e analisar o contexto em que cada interação acontece. É justamente essa combinação que sustenta uma infraestrutura de confiança.
Em vez de depender de uma única tecnologia ou de uma única etapa de validação, uma infraestrutura de confiança reúne diferentes sinais para apoiar cada decisão. Documentos, identidade, comportamento, dispositivo, histórico de uso e contexto da transação deixam de ser analisados de forma isolada e passam a compor uma única leitura de risco.
Essa abordagem permite que o nível de verificação acompanhe a situação apresentada pela operação. Uma interação de baixo risco pode seguir com pouca ou nenhuma fricção. Já uma solicitação que reúne sinais incomuns pode exigir validações adicionais antes de ser concluída.
O equilíbrio entre fricção e experiência
Marcelo Souza, vice-presidente de Produto da Certta, resume esse equilíbrio ao discutir um dos principais desafios enfrentados pelas equipes de prevenção à fraude.
"É uma dicotomia essa da quantidade de fricção e camadas de proteção versus usabilidade. O mundo ideal é que a gente consiga fazer combate à fraude silencioso, autenticação silenciosa. Eu não necessariamente precisaria pedir para o usuário fazer alguma coisa. Tenho dados, tenho tecnologia, poderia rodar esses cruzamentos todos nos bastidores. Eventualmente isso é até viável tecnicamente, mas faz parte do nosso trabalho tentar achar o melhor equilíbrio entre fricção e experiência."

Esse equilíbrio explica por que operações mais maduras deixaram de concentrar seus esforços em uma única camada de proteção. O desafio passou a ser coordenar diferentes mecanismos de verificação para responder ao risco apresentado em cada interação, preservando a experiência dos usuários legítimos e aumentando a capacidade de identificar comportamentos fora do padrão antes que eles se transformem em prejuízo.
Uma operação integrada reduz pontos cegos, independentemente do setor
A fraude muda de forma conforme o segmento em que atua. Os mecanismos utilizados em uma operadora de saúde não são exatamente os mesmos observados em um escritório de advocacia ou em uma instituição financeira. Ainda assim, existe um padrão que se repete.
Os ataques prosperam quando informações importantes permanecem isoladas, quando sistemas não compartilham contexto e quando decisões são tomadas a partir de sinais incompletos.
A escala do problema
No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou mais de 314 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos.
Além do impacto direto das fraudes, estudos apontam que cada real perdido costuma gerar custos adicionais relacionados à investigação, recuperação operacional, despesas jurídicas e atendimento aos clientes afetados.
Para grandes organizações, essas perdas tendem a ser diluídas por estruturas mais robustas. Para pequenas e médias empresas, a realidade costuma ser diferente. O mesmo incidente pode consumir recursos que seriam destinados ao crescimento da operação ou comprometer processos essenciais para o funcionamento do negócio.
Foi essa vulnerabilidade que o caso da Saúde Sim tornou visível. Ao longo do documentário, Bruno Araújo descreve como a sucessão de fraudes afetou não apenas o resultado financeiro da empresa, mas a relação entre todos os participantes da operação.
"O prestador quer faturar mais, a operadora precisa controlar custos e o paciente precisa ser atendido. Quando a confiança é comprometida, toda a operação passa a trabalhar sob pressão."

O mesmo padrão em setores diferentes
Essa lógica não se restringe ao setor de saúde:
- Setor jurídico: criminosos utilizam identidades falsas para se passar por advogados e solicitar pagamentos indevidos — em alguns casos, chegam a criar escritórios fictícios com registros profissionais adulterados
- Mercado imobiliário: documentos e registros profissionais clonados dão aparência de legitimidade a negociações fraudulentas
- Setor financeiro: identidades sintéticas, dispositivos comprometidos e credenciais roubadas continuam sendo explorados para abrir contas, solicitar crédito e movimentar recursos indevidamente
Os exemplos mudam. O princípio permanece o mesmo: quanto menor a capacidade de reunir informações dispersas e interpretá-las em conjunto, maior a probabilidade de que sinais importantes passem despercebidos.
Reduzir pontos cegos com verificação integrada
É justamente para reduzir esses pontos cegos que operações mais maduras passaram a adotar uma lógica integrada de verificação. Em vez de analisar identidade, documentos, comportamento e dispositivos em etapas independentes, uma infraestrutura de confiança consolida esses sinais em uma única camada de decisão. O objetivo não é aumentar indiscriminadamente as verificações, mas utilizar o contexto disponível para definir quais validações realmente fazem sentido em cada interação.
Essa abordagem permite responder de forma proporcional ao risco apresentado, reduzindo atritos para usuários legítimos e ampliando a capacidade de identificar comportamentos incompatíveis com o histórico da operação. Mais do que adicionar novas ferramentas, operações resilientes dependem da capacidade de fazer essas ferramentas compartilhar contexto e produzir decisões consistentes. É essa integração que permite transformar sinais isolados em inteligência operacional antes que eles se convertam em prejuízo.
Quando a Inteligência Artificial acelera os dois lados da disputa
A Inteligência Artificial mudou a velocidade com que a fraude evolui. Atividades que antes exigiam conhecimento técnico, tempo e acesso a ferramentas especializadas passaram a ser executadas por um número muito maior de pessoas. Documentos sintéticos, mensagens personalizadas, identidades falsas e campanhas de engenharia social podem ser produzidos em poucos minutos e adaptados rapidamente conforme a resposta das vítimas ou das empresas.
IA reduziu a barreira de entrada para o crime
José Oliveira, CTO da Certta, observa que essa mudança reduziu a barreira de entrada para quem pretende aplicar golpes.
"O que vemos no mercado é a alta adoção das tecnologias mais modernas pelos fraudadores. Eles já faziam isso, mas o acesso era muito menor, mais custoso e demandava mais conhecimento técnico. Hoje, com IA generativa, qualquer pessoa consegue criar documentos e identidades sintéticas de forma muito rápida e simples, o que democratiza o acesso à tecnologia, para o bem e para o mal."
Essa transformação altera a lógica da prevenção à fraude. Se os ataques conseguem mudar em questão de minutos, respostas baseadas apenas em revisão manual ou em regras estáticas passam a perder eficácia. O intervalo entre o surgimento de uma nova técnica e a capacidade de identificá-la se torna cada vez menor.
Por que a defesa também precisa de IA
Por esse motivo, operações mais maduras também passaram a incorporar Inteligência Artificial às estratégias de prevenção. Não para substituir especialistas ou automatizar todas as decisões, mas para ampliar a capacidade de analisar sinais, identificar desvios de comportamento e adaptar mecanismos de verificação à medida que novos riscos surgem.
Victor Thomazetti, Head de Segurança Digital do Itaú Unibanco, explica que esse princípio já orienta o desenvolvimento de produtos digitais da instituição.
"Hoje, em uma área moderna de segurança, não tem como pensar em prevenir fraudes e garantir segurança sem ter em mente a boa usabilidade e a experiência do cliente. Precisamos encontrar o ponto ótimo, em que dou a melhor segurança, a melhor percepção de segurança e a melhor experiência para o usuário."
A mesma Inteligência Artificial que amplia a capacidade dos fraudadores também pode fortalecer a prevenção quando aplicada para interpretar sinais de risco, reduzir análises manuais e ajustar decisões conforme o comportamento observado na operação.
O fator determinante deixa de ser simplesmente utilizar IA. Passa a ser a capacidade de combinar dados, contexto e diferentes mecanismos de verificação para responder a novas tentativas de fraude na velocidade em que elas surgem.
É justamente essa coordenação que permite transformar a Inteligência Artificial em parte de uma infraestrutura de confiança, em vez de tratá-la como uma ferramenta isolada.
Fraude digital deixou de ser um problema restrito à segurança
O caso da Saúde Sim mostra que a fraude dificilmente compromete uma empresa de uma única vez. O impacto costuma se acumular em processos mais lentos, custos operacionais mais altos, relações de confiança desgastadas e decisões tomadas com menos previsibilidade.
Esse movimento acontece em diferentes setores. Saúde, mercado jurídico, instituições financeiras e empresas de serviços convivem com ataques que exploram vulnerabilidades técnicas e comportamentais, utilizando ferramentas cada vez mais acessíveis e sofisticadas.
Nesse cenário, ampliar o número de verificações não resolve, por si só, o problema. Operações resilientes dependem da capacidade de reunir informações dispersas, interpretar sinais de risco e ajustar decisões conforme o contexto de cada interação. É esse princípio que orienta uma infraestrutura de confiança.
Quando identidade, documentos, comportamento e contexto passam a ser analisados de forma integrada, a prevenção deixa de depender de uma única tecnologia e passa a fazer parte da própria arquitetura da operação.
À medida que o crime digital continua evoluindo, a diferença entre empresas que conseguem responder a esse cenário e aquelas que acumulam perdas estará cada vez menos relacionada à quantidade de ferramentas utilizadas e cada vez mais à capacidade de coordená-las de forma inteligente.
A prevenção à fraude começa antes do primeiro incidente.
Conheça como a Certta organiza identidade, documentos, comportamento e contexto em uma única infraestrutura de confiança, permitindo que diferentes mecanismos de verificação atuem de forma coordenada ao longo de toda a operação.
Perguntas frequentes
O que aconteceu com a Saúde Sim?
A Saúde Sim foi uma operadora de saúde popular sediada em Brasília que chegou a atender cerca de 72 mil beneficiários. O documentário A Nova Economia do Engano apresenta como diferentes fraudes contribuíram para comprometer a sustentabilidade da operação e transformaram o caso em um exemplo dos desafios enfrentados por empresas de médio porte.
O que é Fraude como Serviço?
Fraude como Serviço, ou Fraud as a Service, é um modelo em que grupos especializados disponibilizam ferramentas para aplicação de golpes, como bases de dados vazadas, documentos falsificados, infraestrutura de bots e campanhas de engenharia social. Isso reduz a barreira técnica para novos criminosos e acelera a evolução das fraudes.
Por que pequenas e médias empresas são mais visadas?
Empresas menores costumam operar com equipes reduzidas, menor integração entre sistemas e menos recursos para responder rapidamente a novas ameaças. Essas características aumentam a exposição a ataques e tornam a recuperação mais difícil quando um incidente acontece.
Biometria resolve o problema da fraude digital?
Isoladamente, não. A biometria é uma camada importante de verificação, mas funciona melhor quando combinada com outros sinais, como validação documental, análise comportamental, histórico da transação e informações do dispositivo utilizado.
O que é uma infraestrutura de confiança?
Uma infraestrutura de confiança reúne diferentes mecanismos de verificação em uma única arquitetura de decisão. Em vez de analisar documentos, identidade e comportamento separadamente, esses sinais são avaliados em conjunto para definir o nível de verificação adequado para cada interação.
Como a Inteligência Artificial influencia a prevenção à fraude?
A Inteligência Artificial acelera tanto a evolução dos ataques quanto a capacidade de identificá-los. Quando integrada à estratégia de prevenção, ela ajuda a interpretar sinais de risco, identificar padrões incomuns e adaptar verificações conforme o comportamento observado na operação.
Glossário
Infraestrutura de confiança: Arquitetura que reúne diferentes mecanismos de verificação em uma única camada de decisão, permitindo analisar identidade, documentos, comportamento e contexto de forma integrada.
Fraude como Serviço (Fraud as a Service): Modelo de negócio utilizado por grupos criminosos que oferecem ferramentas, dados e infraestrutura para aplicação de fraudes em larga escala.
Engenharia social: Conjunto de técnicas utilizadas para induzir pessoas a compartilhar informações, realizar pagamentos ou executar ações que favorecem um ataque.
Identidade sintética: Identidade criada a partir da combinação de informações reais e falsas para simular um usuário legítimo durante processos de cadastro, autenticação ou obtenção de crédito.
Verificação de identidade: Processo que combina diferentes evidências para confirmar se uma pessoa é realmente quem afirma ser durante uma interação digital.
Autenticação silenciosa: Estratégia que utiliza sinais coletados durante a navegação e o comportamento do usuário para validar sua identidade sem exigir etapas adicionais sempre que isso for possível.
Hub de Verificação Inteligente: Modelo adotado pela Certta para coordenar diferentes tecnologias de verificação dentro de uma única infraestrutura de confiança, permitindo ajustar decisões conforme o risco apresentado em cada interação.
Fontes e estudos citados
- Prosa Press. A Nova Economia do Engano.
- Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) em parceria com Ernst & Young (EY). Estudo sobre perdas provocadas por fraudes na saúde suplementar.
- IBM Security. Relatório sobre ameaças cibernéticas e ataques direcionados a pequenas e médias empresas.
- Fundação Getulio Vargas (FGV). Pesquisas do Laboratório DesinfoPop sobre mercados ilícitos digitais e desinformação.
- Entrevistas concedidas por Marcelo Souza (Certta), Bruno Araújo (Saúde Sim), Leonardo Sica (OAB São Paulo), José Oliveira (Certta) e Victor Thomazetti (Itaú Unibanco) para o documentário A Nova Economia do Engano.


