Estratégia de confiança digital na prevenção a fraudes digitais: por que sua empresa precisa de uma

Artigo de análise
May 13, 2026
5 minutos
Prevenção à Fraude / Inteligência Artificial

O documentário “Voo 2026”, produzido pela Certta em parceria com a Prosa Press, reúne especialistas em segurança digital, prevenção à fraude e estratégia de negócios. Este artigo desenvolve os principais pontos discutidos no vídeo, disponível abaixo.

A inteligência artificial reduziu drasticamente o tempo e o custo de execução de uma fraude, ao mesmo tempo em que ampliou a capacidade de defesa das operações digitais. O efeito prático dessa equação não é técnico, é estrutural, e varia de acordo com a forma como cada empresa organiza seus sistemas, seus dados e suas decisões.

Antes de avançar, vale uma pergunta direta: a sua operação toma decisões com base em uma visão integrada de risco ou ainda depende de múltiplos sistemas que não compartilham contexto em tempo real? A resposta a essa pergunta define muito mais do que uma escolha tecnológica. Define a velocidade com que a sua empresa consegue responder ao ataque.

Alguns dos pontos trazidos pelos especialistas na reportagem ajudam a explicar por que a discussão sobre fraude digital e inteligência artificial deixou de ser pontual e passou a ser estrutural para qualquer operação que depende de verificação de identidade e documentos, além de prevenção à fraude.

O excesso de informação como gargalo operacional

Dados deixaram de ser escassos há algum tempo. O problema passou a ser processamento, priorização e tomada de decisão em ambientes cada vez mais complexos, onde diferentes ferramentas competem pela atenção do time e nenhuma entrega, sozinha, uma leitura completa da jornada.

Nesse contexto, a IA atua como amplificadora. Ela automatiza processos de verificação, identifica padrões em escala e cruza sinais que seriam inviáveis manualmente, ao mesmo tempo em que reduz a barreira de entrada para fraude.

Do outro lado, o atacante opera com menos restrições. Ele testa, ajusta e escala com velocidade, sem precisar lidar com compliance, SLA ou impacto na experiência do usuário.

Como IA, deepfakes e fraude digital aceleraram o ciclo de ataque contra sua operação

O ciclo de um ataque ficou significativamente mais curto. Geração de identidade sintética, adulteração de documentos com consistência de metadados e simulação de comportamento passaram a ser etapas rápidas, replicáveis e cada vez mais difíceis de identificar com abordagens isoladas. O uso de deepfake para burlar processos de verificação de identidade cresceu 126% no Brasil entre 2024 e 2025, segundo o Identity Fraud Report da Sumsub. O país concentra quase 39% de todos os deepfakes detectados na América Latina.

Os dados do mercado brasileiro ajudam a dimensionar esse movimento. De acordo com a reportagem da Prosa Press, foram 6,9 milhões de tentativas de fraude no primeiro semestre de 2025, o equivalente a uma tentativa de fraude documental a cada 7 minutos, enquanto 72% das fraudes digitais no período envolveram roubo de conta.

Essa dinâmica aparece com clareza nas análises da reportagem. De acordo com Gabriel Pato, hacker ético e criador de conteúdo sobre segurança da informação,  o tempo de execução de uma fraude caiu nos últimos anos e isso tem pressionado operações que ainda dependem de análises fragmentadas.

A digitalização avançou em ritmo acelerado, mas os modelos de proteção não evoluíram na mesma velocidade. Esse descompasso aparece na operação, na experiência do usuário e na pressão sobre os times responsáveis pela decisão de risco.

Fragmentação de soluções: um grande risco estrutural

A maioria das operações de prevenção cresceu por acúmulo: uma solução para biometria, outra para análise documental, outra para autenticação de dispositivo, além de ferramentas complementares para checagens específicas.

Uma enquete da Risk Women Brasil, comunidade com profissionais de mais de 140 empresas, indica que a maior parte das operações antifraude utiliza mais de quatro ferramentas distintas para compor sua estratégia de prevenção a fraudes.

O ponto crítico não está na quantidade, mas na ausência de integração. Quando os sistemas não compartilham sinais e contexto, a decisão depende de recomposição manual, o tempo de resposta aumenta e a leitura de risco passa a ser inevitavelmente parcial.

Enquanto isso, o atacante enxerga a sua operação como um fluxo único e atua exatamente nas lacunas criadas por essa fragmentação. Resolver isso não é questão de adicionar mais uma ferramenta. É uma decisão de infraestrutura.

Como um hub de verificação inteligente define capacidade de resposta

A capacidade de resposta de uma operação antifraude está diretamente ligada à forma como os sinais são coletados, combinados e analisados ao longo da jornada do usuário.

Um hub de verificação inteligente organiza essa lógica ao centralizar sinais de identidade, dispositivo, comportamento e documentação em uma única camada de decisão, permitindo ajustar o nível de verificação de acordo com o risco de cada transação e operar em tempo real.

Na prática, cada interação gera um conjunto de evidências. Biometria facial, prova de vida, padrão de uso do dispositivo, velocidade de navegação e consistência documental passam a ser avaliados de forma combinada, formando um score acionável que sustenta a decisão.

Padrões comportamentais ganham relevância nesse modelo. A forma de segurar o celular, o ritmo de interação e a sequência de ações deixam rastros consistentes ao longo do tempo, e alterações abruptas nesses padrões indicam necessidade de verificação adicional. Esse nível de leitura depende de continuidade de dados, algo que não se sustenta em infraestruturas fragmentadas, a análise é de José Oliveira, CTO da Certta.

Continuidade operacional e segurança digital: como manter a operação mesmo quando um fornecedor falha

Disponibilidade passa a ser parte da estratégia, não apenas um requisito técnico. Operações críticas precisam manter consistência mesmo diante de falhas pontuais ou indisponibilidade de fornecedores.

Uma infraestrutura bem definida permite substituir componentes sem impacto perceptível na experiência do usuário, preservando a continuidade da operação enquanto os ajustes acontecem em segundo plano.

Segundo o representante Akshay Joshi, do World Economic Forum, 65% das grandes empresas apontam a falta de visibilidade sobre a segurança de toda a cadeia como principal barreira à resiliência digital. Cada nova integração amplia a superfície de risco, e sem coordenação, amplia também a exposição.

Infraestrutura de confiança digital: o que é e por que é a base da sua estratégia antifraude

A digitalização ampliou o volume de transações e reduziu o contato presencial, deslocando a validação de identidade para o ambiente digital. Nesse contexto, sinais de identidade passam a ser tratados como infraestrutura crítica.

Operações que estruturam essa base conseguem reduzir fraude, aumentar taxa de aprovação e manter controle sobre risco ao longo do tempo, com decisões que deixam de ser reativas e passam a operar de forma contínua e integrada.

Esse é o território que a Certta chama de Infraestrutura de confiança digital: a estratégia que promove prevenção a fraudes, melhoria na experiência do usuário, automação de processos e crescimento de receita.

Quer conhecer mais sobre como aplicar essa infraestrutura no dia a dia da sua operação?