Inteligência Artificial / Prevenção à Fraude
August 11, 2026
9 minutos

Infraestrutura: o que o mercado entende (e o que muda para a Certta)

Febraban Tech 2026 vai discutir infraestrutura. Veja o que o mercado financeiro entende por isso, e o que muda na visão da Certta.

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A Definição Técnica que Ainda Domina o Setor Financeiro

Pergunte a um executivo de banco o que ele entende por infraestrutura antifraude, e a resposta provavelmente será técnica, como servidores, disponibilidade e uptime. Essa definição explica não apenas como o setor construiu seus sistemas, mas também por que as operações antifraude evoluíram como um conjunto de ferramentas isoladas, e não como um sistema de decisão.

O resultado eram fluxos rígidos, com pouca margem para adaptar a jornada ao perfil real de cada cliente ou ao apetite de risco de cada operação. Essa lógica começou a ser questionada à medida que fraude, inteligência artificial e identidade digital passaram a exigir decisões mais rápidas e contextualizadas. Não por acaso, o tema tem ganhado espaço em eventos como a Febraban Tech e a Rio Innovation Week. Foi a partir desse debate que investigamos como a ideia de infraestrutura está mudando no setor financeiro.

O peso que o tema ganha nesses eventos não é acaso: reflete o tamanho do investimento que já está em jogo. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, conduzida com a Deloitte, o orçamento total em tecnologia dos bancos brasileiros chegou a R$ 47,8 bilhões em 2025 e R$ 50,4 bilhões em 2026, e 84% dos executivos priorizam a migração para a nuvem como forma de sustentar essa resiliência operacional.

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Infraestrutura Como Camada de Sustentação: A Visão Predominante

Embora essa definição esteja sendo revisitada, ela ainda é o ponto de partida para quem desenha e opera sistemas financeiros. Em conversas com especialistas do setor, a infraestrutura continua sendo descrita como a camada que sustenta a operação, garantindo disponibilidade, resiliência e conectividade para que produtos e serviços funcionem. É dessa perspectiva que parte a explicação de um dos entrevistados:
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"Quando eu penso em infraestrutura, penso muito nessa camada de sustentação: a base da cadeia que precisa existir para que, em cima dela, eu consiga construir produtos e serviços. É a diferença entre tudo que sustenta e a camada que o cliente de fato vê, ou a experiência que ele tem. Dificilmente essa parte visível seria possível se não houvesse uma camada tecnológica robusta e resiliente por baixo, sustentando tudo." - Igor Moraes Gonçalves, Group Product Manager

Yasodara Córdova, pesquisadora e consultora em Privacidade e Identidades Digitais, complementa essa definição observando que a infraestrutura muda de lugar dependendo do que está sendo protegido:
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"Infraestrutura é a palavra que define os processos que são a base para um sistema funcionar. Quando eu falo em infraestrutura de privacidade, por exemplo, estou falando de criptografia básica. Quando eu falo que muda a infraestrutura da segurança de biometria, estou falando de grandes empresas de tecnologia que passaram a apostar numa infraestrutura local para armazenamento de dados, processando a biometria diretamente no dispositivo em vez de na nuvem." - Yasodara Córdova, pesquisadora em identidade digital e privacidade

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Como a Evolução das Fraudes Tensiona essa Definição

Mas a própria evolução das fraudes começou a tensionar essa definição. Se antes bastava garantir que os sistemas permanecessem disponíveis e integrados, hoje as operações também precisam interpretar contexto, equilibrar risco e experiência e responder, em tempo real, a ataques cada vez mais sofisticados, muitos deles impulsionados por inteligência artificial. Em determinados casos de uso, a infraestrutura deixa de ser apenas um conjunto de componentes que mantém a operação funcionando e passa a incorporar mecanismos capazes de orientar decisões ao longo da jornada do usuário.

Essa mudança de perspectiva também ajuda a explicar movimentos observados entre empresas do setor. Na Certta, hub de verificação inteligente, por exemplo, a ampliação do portfólio e o reposicionamento da companhia acompanharam essa evolução do mercado, saindo de uma atuação centrada em tecnologias antifraude para uma proposta de infraestrutura de verificação capaz de integrar diferentes fontes de dados e apoiar decisões ao longo de toda a jornada digital.

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Por Que um Fluxo Único de Verificação Não Serve a Todos os Segmentos

Na prática, essa mudança amplia o papel da infraestrutura dentro das operações antifraude, otimizando e combinando diferentes ferramentas, adaptando jornadas conforme o contexto de risco e evoluindo continuamente com base nos resultados obtidos.

Essa lógica permite que decisões antes tratadas como projetos de desenvolvimento passem a fazer parte da rotina operacional. Um banco pode, por exemplo, testar dois fornecedores de biometria dentro da mesma jornada, comparar indicadores como conversão e tempo de resposta e decidir qual entrega o melhor desempenho sem precisar migrar toda a operação. Da mesma forma, se um fornecedor apresentar instabilidade, a infraestrutura pode redirecionar automaticamente o fluxo para outra tecnologia, preservando a experiência do usuário e reduzindo impactos na operação.

A tabela abaixo ilustra por que um parâmetro único de verificação não serve a todos os segmentos:

Mas essa capacidade de direcionar transações de forma inteligente também amplia outra responsabilidade da infraestrutura: garantir que as decisões tomadas ao longo da jornada sejam transparentes, auditáveis e governadas. Se diferentes tecnologias passam a atuar de forma integrada, e agentes de inteligência artificial começam a participar desse processo, torna-se igualmente importante compreender por que determinada decisão foi tomada, quais sinais foram considerados e quais regras influenciaram o resultado.

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Governança de IA: Quando o Risco Migra de Quem Executa Para Quem Configura

Essa mudança, porém, ainda chega de forma desigual às empresas. É o que defende Edney Souza, professor e conselheiro em inteligência artificial, dados e inovação. Segundo ele, a discussão deixa de ser técnica quando a inteligência artificial passa a influenciar decisões que antes eram exclusivamente humanas.
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"Um agente que faz triagem de crédito, projeta fluxo de caixa ou aponta risco de fraude assumiu parte de uma decisão que antes pertencia a um analista, um gestor ou alguém que respondia pelo resultado. Quando isso acontece, o risco migra de quem executa para quem configurou o sistema e assinou embaixo." - Edney Souza

O Conceito de Harness na Governança de Agentes de IA

É justamente por isso que Edney defende o conceito de harness: o conjunto de limites, mecanismos de supervisão e registros que acompanha um agente inteligente antes que ele entre em produção. Mais do que desenvolver modelos capazes de automatizar tarefas, a preocupação passa a ser criar estruturas que permitam acompanhar seu comportamento, revisar decisões e interromper sua atuação quando necessário.

Esse princípio já começa a aparecer nas plataformas que incorporam inteligência artificial como parte da infraestrutura de verificação. Na Certta, por exemplo, o Hubby foi desenvolvido para atuar como uma camada de interpretação sobre a operação. Em vez de substituir o analista de risco, ele reconstrói o caminho percorrido por cada decisão, indicando quais tecnologias foram consultadas, quais regras foram acionadas e quais evidências levaram à aprovação ou rejeição de uma interação. No release oficial de lançamento, a Certta descreve o Hubby como um copiloto especializado em fraude: ele entende contexto, comportamento transacional e ajuda as equipes a tomarem decisões mais estratégicas.

Se a tendência de incorporar modelos automatizados às decisões de negócio continuar avançando, o diferencial estará na capacidade de explicar como ela foi executada, quais limites foram estabelecidos e quais evidências sustentaram cada decisão. É essa combinação entre otimização, transparência e governança que tem ganhado espaço nos principais fóruns do setor e ajudado a redefinir o papel da infraestrutura nas operações de verificação digital.

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A Lacuna Entre Adoção de IA e Maturidade de Governança

Embora esse debate tenha ganhado espaço nas empresas, a maturidade para governar o uso da inteligência artificial ainda avança em um ritmo diferente. Pesquisas recentes sobre governança corporativa mostram que, enquanto a IA já faz parte da rotina de muitas organizações, políticas para orientar seu uso e supervisionar decisões automatizadas ainda são exceção. Em outras palavras, a adoção da tecnologia evolui mais rapidamente do que os mecanismos de governança capazes de acompanhá-la.

O relatório Governance of AI: A Critical Imperative for Today's Boards, do Deloitte Global Boardroom Program, mede exatamente essa distância em escala global: com base em 700 conselheiros e executivos de 56 países, o estudo mostra que a fatia de conselhos que ainda não incluem IA na agenda oficial caiu de 45% para 31% entre as duas últimas edições da pesquisa, mas 66% dos conselheiros continuam relatando conhecimento limitado ou nulo sobre o tema, ante 79% no levantamento anterior.

Para Edney, essa distância entre adoção e governança ajuda a explicar por que tantas organizações ainda tratam a IA como um tema exclusivamente tecnológico.
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"É a cena mais reveladora que já vi sobre o tema: o conselho que precisa cobrar governança de IA da empresa às vezes não governa nem a própria IA que usa para ler a pauta." - Edney Souza

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Decisão Errada de IA é Bug ou Falta de Governança?

Para Edney, o maior risco não está na adoção da inteligência artificial em si, mas na forma como ela é incorporada às operações. "O risco maior é achar que decisão errada de IA é bug, quando na verdade é governança que ninguém exerceu. Um modelo de linguagem é probabilístico, gera a resposta mais provável, e a mesma pergunta pode sair diferente em outro dia. Isso é ótimo para redigir, resumir ou explorar cenário. É perigoso quando a tarefa exige o oposto, o mesmo resultado toda vez, com caminho auditável, como cálculo fiscal, forecast financeiro ou qualquer decisão que afete o direito de alguém."

A discussão sobre infraestrutura, portanto, deixa de se restringir à capacidade de manter sistemas disponíveis. Ela passa a incorporar outro atributo cada vez mais relevante nas operações digitais: a capacidade de explicar como decisões foram construídas, quais regras orientaram esse processo e quem responde por elas.

É esse mesmo raciocínio que Yasodara Córdova aplica quando observa a indústria como um todo: a camada que se chama de infraestrutura muda de lugar conforme a ameaça muda de forma, e reconhecer essa camada certa, no momento certo, é o que separa uma empresa que apenas sustenta operação de uma que efetivamente decide com ela.

Perguntas frequentes

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O que significa infraestrutura antifraude?

No vocabulário tradicional do setor financeiro, infraestrutura descreve a camada que sustenta a operação: servidores, disponibilidade, resiliência e conectividade para que produtos e serviços funcionem. À medida que fraude, inteligência artificial e identidade digital passam a exigir decisões mais rápidas e contextualizadas, essa infraestrutura incorpora também mecanismos capazes de orientar decisões ao longo da jornada do usuário.

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Por que a definição de infraestrutura muda dependendo do contexto de segurança?

Segundo a pesquisadora Yasodara Córdova, infraestrutura é a palavra que define os processos que são a base para um sistema funcionar, e essa base muda de lugar conforme o que está sendo protegido. Em privacidade, pode ser a criptografia básica. Em biometria, pode ser a decisão de processar dados localmente no dispositivo em vez de na nuvem, como passou a fazer o Google.

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O que é o Hubby e como ele se diferencia de um chatbot comum?

O Hubby foi desenvolvido para atuar como uma camada de interpretação sobre a operação. Em vez de substituir o analista de risco, ele reconstrói o caminho percorrido por cada decisão, indicando quais tecnologias foram consultadas, quais regras foram acionadas e quais evidências levaram à aprovação ou rejeição de uma interação. Ele é um copiloto especializado em fraude, que entende contexto e comportamento transacional.

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O que é harness em governança de agentes de IA?

Harness é o conjunto de limites, mecanismos de supervisão e registros que acompanha um agente inteligente antes que ele entre em produção. A preocupação deixa de ser apenas desenvolver modelos capazes de automatizar tarefas e passa a ser criar estruturas que permitam acompanhar seu comportamento, revisar decisões e interromper sua atuação quando necessário.

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Por que a governança de IA ainda não chega às mesas de conselho?

Segundo Edney Souza, o conselho que precisa cobrar governança de IA da empresa às vezes não governa nem a própria IA que usa para ler a pauta. Pesquisas recentes sobre governança corporativa mostram que a adoção da tecnologia evolui mais rapidamente do que os mecanismos de governança capazes de acompanhá-la.

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Qual a diferença entre um erro de IA e uma falha de governança?

Um modelo de linguagem é probabilístico, gera a resposta mais provável, e a mesma pergunta pode sair diferente em outro dia. Isso é adequado para redigir, resumir ou explorar cenário. Torna-se perigoso quando a tarefa exige o oposto, o mesmo resultado toda vez, com caminho auditável, como cálculo fiscal, forecast financeiro ou qualquer decisão que afete o direito de alguém.

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Conceitos abordados neste artigo

Hub de verificação inteligente: termo usado pela Certta para descrever sua atuação, integrando diferentes fontes de dados e apoiando decisões ao longo de toda a jornada digital, em vez de apenas sustentar a operação por baixo.

Harness: conjunto de limites, mecanismos de supervisão e registros que acompanha um agente inteligente antes que ele entre em produção, permitindo acompanhar seu comportamento, revisar decisões e interromper sua atuação quando necessário.

Governança de IA: conjunto de políticas e estruturas que orientam o uso de inteligência artificial dentro de uma organização e supervisionam as decisões automatizadas que ela participa.

Modelo probabilístico: tipo de modelo de inteligência artificial que gera a resposta mais provável para uma pergunta, podendo produzir resultados diferentes para a mesma pergunta em momentos distintos. Adequado para redigir, resumir ou explorar cenários, mas arriscado quando aplicado a decisões que exigem caminho auditável.

Infraestrutura de privacidade: segundo a pesquisadora Yasodara Córdova, exemplo de como o conceito de infraestrutura muda de camada conforme o contexto, podendo se referir, nesse caso, à criptografia básica que protege dados.

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Fontes

Entrevistas com Igor Moraes Gonçalves, Yasodara Córdova e Edney Souza, conduzidas para este artigo.

Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, com a Deloitte (2025/2026). ‍

Deloitte Global Boardroom Program, Governance of AI: A Critical Imperative for Today's Boards, 2ª edição (2026), com 700 conselheiros e executivos em 56 países.