Confiança Digital / Prevenção à Fraude
July 15, 2026
7 minutos

Quando a fraude muda mais rápido que a operação: Adaptação Inteligente em Picos de Tráfego

Este artigo foi desenvolvido a partir da Special Edition “A arquitetura da verificação inteligente”, produzida pelo TEC Institute em parceria com a Certta e publicada pela MIT Technology Review Brasil. O material reúne especialistas em segurança digital, prevenção à fraude e comportamento do consumidor, entre eles Fabiana Rivero, superintendente de Governança Cadastral e Riscos, Marcelo Sousa, vice-presidente de Produto da Certta, e Juliana Silveira D’Addio, especialista em Cultura de Segurança.

Black Friday, grandes shows, lançamentos aguardados e fim de ano. Em períodos de alta demanda, as empresas costumavam concentrar seus esforços em ampliar a capacidade, garantir a disponibilidade e acompanhar os indicadores de desempenho. Hoje, porém, esse planejamento ganhou uma nova variável, o avanço das fraudes, desafiando as empresas a repensarem suas estratégias no dia a dia e em momentos de risco elevado.

Enquanto consumidores compram, viajam, fazem cadastros ou tentam garantir um ingresso, fraudadores ajustam ataques quase na mesma velocidade com que o comportamento dos usuários muda. A Inteligência Artificial reduziu o tempo necessário para criar novas campanhas, adaptar abordagens e testar variações em escala. Segundo o Fórum Econômico Mundial, 72% das empresas perceberam um aumento nos riscos cibernéticos no último ano, com fraude digital, phishing e roubo de identidade entre as principais ameaças.

Em um cenário onde as operações precisam responder a um ambiente que muda continuamente, a capacidade de resposta é quem começa a diferenciar operações preparadas daquelas que continuam apoiadas em modelos construídos para um cenário mais previsível.

Quando picos de tráfego deixam de ser os maiores problemas

Empresas que operam com aquisição convivem diariamente com grandes volumes de transações. Datas de alta demanda ampliam essa carga, mas raramente representam um cenário totalmente novo. O que realmente muda é a velocidade com que o comportamento da operação passa a oscilar.

Em poucos minutos surgem novos padrões de compra, horários incomuns de acesso, picos concentrados em determinadas regiões e um volume maior de tentativas de fraude acompanhando esse movimento. 

Grandes eventos funcionam como um teste permanente da arquitetura de segurança. Eles revelam até que ponto uma operação consegue responder quando volume, comportamento e risco mudam ao mesmo tempo.

Fabiana Rivero, superintendente de Governança Cadastral e Riscos, resume esse desafio a partir da rotina de quem precisa manter uma operação disponível justamente quando ela é mais exigida.

"Ao longo dos anos, temos nos estruturado com parceiros robustos e uma arquitetura resiliente, porque a adquirência não pode cair no fim do ano ou naquele show ou evento em que o cliente precisa passar o cartão na maquininha." — Fabiana Rivero, superintendente de Governança Cadastral e Riscos

Modelos baseados em regras fixas começam a perder eficiência justamente nesse tipo de situação. Eles foram construídos para reconhecer padrões relativamente estáveis. Hoje, esses padrões podem mudar várias vezes ao longo de um mesmo dia.

Esse problema deixou de ser pontual ou restrito a determinados setores. Ataques crescem não só em volume, mas em variedade e imprevisibilidade.

Parte dessa variedade envolve ataques que vão além da fraude transacional. Picos de tráfego também abrem espaço para ataques de infraestrutura, como DDoS (negação de serviço distribuída) e tráfego de bots maliciosos, que sobrecarregam sistemas e podem mascarar tentativas de fraude dentro do volume elevado de acessos legítimos. Tratar apenas a fraude transacional deixa a operação exposta a esse outro tipo de ataque justamente nos momentos de maior risco.

Fraude como Serviço: quando criar um golpe passa a ser uma atividade escalável

A velocidade com que os ataques evoluem não depende apenas da Inteligência Artificial, ela também reflete uma mudança na forma como o crime digital passou a operar.

Nos últimos anos, o crime digital deixou de concentrar todas as etapas de um ataque em um único grupo especializado. Em vez disso, surgiu um mercado clandestino em que diferentes serviços podem ser contratados separadamente. Há quem venda bases de dados vazadas, outros oferecem infraestrutura para envio de campanhas de phishing, redes de bots, páginas falsas prontas para uso e até modelos de mensagens criados com apoio de IA generativa.

Esse modelo ficou conhecido como Fraud as a Service, ou Fraude como Serviço.

Na prática, aplicar um golpe exige menos conhecimento técnico do que há alguns anos. Parte da infraestrutura já está disponível, organizada em pacotes que podem ser adquiridos e adaptados para diferentes alvos. Isso reduz a barreira de entrada para novos criminosos e acelera o surgimento de novas variações de ataque.

Para quem trabalha com prevenção à fraude, a consequência se manifesta na operação. As tentativas deixam de seguir um conjunto relativamente conhecido de padrões e passam a mudar com muito mais frequência. Estratégias que funcionavam na semana passada podem perder eficácia em poucos dias.

O papel dos hubs de verificação inteligente na economia digital

Nesse cenário, acrescentar novas ferramentas nem sempre aumenta a proteção. Em muitos casos, apenas amplia a quantidade de integrações, regras e decisões que precisam ser coordenadas. É justamente essa fragmentação que um Hub de Verificação Inteligente busca reduzir.

Em vez de conectar dezenas de soluções de forma independente, o hub inteligente reúne sinais de diferentes tecnologias para apoiar uma única lógica de decisão. Isso permite que a operação responda de forma mais consistente quando o risco muda, sem depender de ajustes isolados em cada fornecedor.

Essa abordagem também melhora a leitura do que está acontecendo ao longo da operação. Quando diferentes camadas compartilham informações, torna-se mais fácil identificar mudanças de comportamento, revisar regras e adaptar respostas antes que um padrão de fraude se espalhe.

Infraestruturas de confiança deixam de depender apenas da eficiência de cada ferramenta individual. Elas passam a depender da capacidade de fazer essas ferramentas trabalharem como um sistema integrado.

Essa lógica de coordenação também se estende a camadas mais específicas de proteção, como tokenização de dados sensíveis e autenticação multifator (MFA). Em vez de atuar de forma isolada, essas tecnologias passam a funcionar como sinais adicionais dentro da mesma arquitetura de decisão, reforçando a proteção sem multiplicar as integrações que a operação precisa gerenciar.

Copa do Mundo 2026: um ambiente que concentra mudanças de comportamento

A Copa do Mundo de 2026 reúne características que tornam qualquer operação digital mais complexa. Pela primeira vez, o torneio é realizado simultaneamente em três países, com diferentes fusos horários, legislações, meios de pagamento e fluxos de deslocamento.

Ao longo de poucas semanas, milhões de pessoas compram passagens, reservam hospedagens, contratam seguros, trocam moeda, adquirem ingressos e acessam serviços digitais em locais pouco familiares. Boa parte dessas ações acontece sob pressão de tempo, em dispositivos móveis e em redes desconhecidas.

Esse conjunto altera profundamente o comportamento esperado da operação. O aumento das transações importa, mas não explica sozinho a complexidade do período.

A imprensa brasileira já vem cobrindo esse movimento. Um levantamento da NordVPN mostra que 34% das pessoas relataram contato com golpes ligados à Copa do Mundo de 2026, contra 19% registrados antes da Copa de 2022, quase o dobro em quatro anos. Esse é justamente o tipo de cenário sobre o qual executivos da Certta, incluindo Marcelo Sousa, têm sido consultados pela imprensa.

Para empresas que lidam diariamente com identidade, pagamentos ou cadastro, distinguir uma mudança legítima de comportamento de uma tentativa de fraude passa a ser uma tarefa ainda mais delicada.

Um Hub de Verificação Inteligente contribui justamente nesse ponto. Ao combinar diferentes sinais de risco em uma única infraestrutura de confiança, ele permite ajustar decisões conforme o comportamento observado na operação, preservando a experiência do usuário sem abrir mão da segurança.

Verificação inteligente também melhora a experiência de quem está do outro lado

Quando uma operação tenta resolver todos os riscos adicionando novas etapas de verificação, a experiência do usuário costuma ser a primeira a sofrer.

Mais perguntas, mais telas e mais interrupções nem sempre significam mais segurança. Em muitos casos, apenas aumentam o abandono da jornada e criam pontos de atrito que afetam usuários legítimos.

Por isso, uma estratégia de verificação inteligente não depende apenas da qualidade das tecnologias utilizadas. Ela depende da capacidade de escolher a verificação mais adequada para cada situação.

Marcelo Sousa, vice-presidente de Produto da Certta, descreve esse princípio da seguinte forma.

"Verificação Inteligente é quando usamos as melhores ferramentas disponíveis para prevenir fraudes de forma coordenada, com soluções ajustadas ao perfil de risco do usuário, considerando transação e contexto específicos." — Marcelo Sousa, vice-presidente de Produto da Certta

Essa lógica muda a forma como as decisões são tomadas. Em vez de aplicar o mesmo fluxo para todos, a operação passa a considerar quem é o usuário, o tipo de transação, o histórico daquela interação e os sinais observados naquele momento.

Essa abordagem também influencia diretamente a experiência do usuário. Durante a evolução dos produtos da Certta, a equipe percebeu que muitos abandonos não estavam relacionados à tecnologia de verificação, mas à forma como as informações eram apresentadas.

"Percebemos que, para o jovem da geração Z, se o botão na tela não está claro, ele tende a desistir ou até apertar o botão errado. Então começamos a tirar certos textos da jornada e trabalhar mais na experiência em si, com botões intuitivos e fluxos mais fluidos." — Marcelo Sousa

A solução não envolveu adicionar novas etapas. Envolveu retirar obstáculos.

Pesquisas com usuários, grupos focais, testes A/B e ajustes sucessivos permitiram simplificar a navegação e reduzir dúvidas ao longo da jornada. Segundo Sousa, esse trabalho elevou a conversão do produto de onboarding em quase vinte pontos percentuais.

O resultado mostra que segurança e experiência não competem entre si. Quando as decisões são melhor distribuídas ao longo da operação, usuários legítimos encontram menos barreiras, enquanto tentativas de fraude recebem verificações compatíveis com o nível de risco apresentado.

O fator humano também faz parte da estratégia de prevenção à fraude

Nem toda fraude explora uma falha tecnológica. Muitas exploram uma característica muito mais previsível, a forma como as pessoas tomam decisões, sobretudo sob pressão. Filas, deslocamentos, mudanças de fuso horário, notificações chegando ao mesmo tempo, medo de perder uma compra e pressão para agir rapidamente reduzem o tempo disponível para analisar informações com calma.

É justamente nesse tipo de ambiente que mensagens fraudulentas costumam encontrar espaço. Um falso alerta sobre um pagamento, um link prometendo acesso prioritário a ingressos ou uma suposta atualização de reserva aproveitam um momento em que o usuário está mais propenso a agir antes de verificar.

Juliana Silveira D'Addio, especialista em Cultura de Segurança, chama atenção para esse aspecto ao discutir como fatores comportamentais passaram a ocupar um papel central nas estratégias de proteção.

Quando decidir rápido aumenta o risco da operação

Para explicar esse comportamento, Juliana recorre ao modelo apresentado pelo psicólogo Daniel Kahneman em "Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar".

Segundo o autor, nossa mente alterna entre duas formas de decisão. Uma delas é automática, rápida e baseada em padrões conhecidos. A outra exige mais atenção, compara informações e avalia alternativas antes de chegar a uma conclusão.

Na maior parte do dia, recorremos ao modo automático. Ele permite executar tarefas simples sem exigir esforço constante. O problema aparece quando um contexto de pressão exige justamente o contrário.

Fraudadores conhecem esse mecanismo e constroem abordagens capazes de reduzir o tempo de reflexão. Mensagens com senso de urgência, notificações inesperadas e pedidos de confirmação imediata têm um objetivo comum: incentivar uma resposta impulsiva antes que o usuário questione a situação.

Quanto menor o intervalo entre receber a informação e agir, maior tende a ser a taxa de sucesso desses ataques.

Pequenas pausas podem impedir grandes prejuízos

Por isso, uma estratégia de prevenção não depende apenas de detectar comportamentos suspeitos. Ela também pode criar oportunidades para que o usuário interrompa uma decisão tomada por impulso.

É nesse ponto que entram os nudges, conceito popularizado pelo economista Richard Thaler. Em vez de restringir escolhas, um nudge reorganiza o ambiente para favorecer decisões mais seguras.

Na prática, isso pode significar destacar o botão de cancelar em uma operação considerada incomum, solicitar uma confirmação adicional antes de uma transferência atípica ou explicar, em linguagem simples, por que determinada ação exige uma verificação extra.

São mudanças discretas, mas que aumentam as chances de o usuário perceber sinais que poderiam passar despercebidos alguns segundos antes.

A tecnologia continua desempenhando um papel essencial. A diferença é que ela deixa de atuar apenas nos bastidores da operação e passa a considerar também a forma como as pessoas percebem informações e tomam decisões.

Segurança também se aprende

Essa lógica vale para consumidores e para equipes internas.

Campanhas baseadas exclusivamente em alertas ou listas de riscos costumam perder efeito com o tempo. Quando toda comunicação transmite a mesma sensação de urgência, as pessoas deixam de prestar atenção.

Juliana defende uma abordagem diferente. Em vez de recorrer ao medo, iniciativas de conscientização tendem a gerar mais resultado quando utilizam exemplos próximos da realidade do público, explicam como determinados golpes funcionam e mostram quais sinais merecem atenção.

O objetivo não é transformar cada usuário em um especialista em segurança. É ajudá-lo a reconhecer situações que fogem do padrão antes de compartilhar informações sensíveis, concluir um pagamento ou acessar um link recebido inesperadamente.

Essa mesma lógica fortalece a cultura de segurança dentro das organizações. Quando tecnologia, processos e comportamento passam a fazer parte da mesma estratégia, a prevenção deixa de depender apenas das ferramentas e passa a envolver todas as pessoas que participam da operação.

Integração passa a ser uma decisão operacional

O relatório do Fórum Econômico Mundial mostra esse movimento. Embora 66% das organizações esperem que a Inteligência Artificial exerça o maior impacto sobre a cibersegurança nos próximos 12 meses, apenas 37% afirmam ter processos estruturados para avaliar a segurança dessas ferramentas antes da implementação.

Esse descompasso revela o desafio de coordenar informações, integrar diferentes mecanismos de verificação e ajustar decisões conforme o comportamento da operação passa a ser um fator determinante para sustentar a confiança digital.

Eventos como Black Friday, grandes shows ou a Copa do Mundo apenas tornam esse cenário mais visível. Eles concentram, em poucos dias, mudanças que muitas operações já enfrentam continuamente.

Enquanto ataques se reorganizam com rapidez crescente, operações resilientes dependem de uma infraestrutura capaz de interpretar sinais, compartilhar contexto entre diferentes tecnologias e ajustar respostas sem comprometer a experiência de usuários legítimos.

É essa lógica que orienta um Hub de Verificação Inteligente. Em vez de concentrar a proteção em uma única tecnologia ou em um fluxo fixo de validação, ele coordena diferentes camadas de verificação para que cada decisão considere o risco apresentado naquele momento.

Quando essa resposta passa a fazer parte da arquitetura, segurança deixa de depender apenas da eficiência de uma ferramenta específica. Ela passa a depender da capacidade de toda a operação de responder às mudanças com consistência.

Perguntas frequentes

O que é um Hub de Verificação Inteligente?

Um Hub de Verificação Inteligente reúne diferentes tecnologias de verificação em uma única infraestrutura de confiança. Em vez de conectar soluções isoladas, ele coordena sinais de risco, integra dados e adapta decisões conforme o perfil da transação e o comportamento observado na operação.

O que significa Fraud as a Service?

Fraud as a Service, ou Fraude como Serviço, descreve um modelo em que criminosos oferecem infraestrutura pronta para aplicação de golpes. Bases de dados vazadas, kits de phishing, redes de bots e ferramentas apoiadas por Inteligência Artificial podem ser contratados por diferentes grupos, reduzindo a barreira técnica para novos ataques.

Por que grandes eventos aumentam o risco de fraude?

Eventos como Black Friday, grandes shows e a Copa do Mundo concentram milhões de transações, cadastros e acessos em um curto período. Além do aumento do volume, esses momentos alteram o comportamento dos usuários, criando oportunidades para ataques de engenharia social e outras fraudes.

Como a Inteligência Artificial influencia a fraude digital?

A Inteligência Artificial permite criar campanhas de phishing, adaptar mensagens e testar diferentes abordagens em poucos minutos. Isso acelera a evolução dos ataques e reduz o tempo disponível para que as operações ajustem suas estratégias de prevenção.

Segurança e experiência do usuário podem coexistir?

Sim. Quando a estratégia de verificação considera o risco de cada operação, usuários legítimos enfrentam menos atritos, enquanto situações suspeitas recebem verificações adicionais. O objetivo é distribuir as validações de forma inteligente, e não aplicar o mesmo fluxo para todos.

Como a neurociência contribui para a prevenção à fraude?

Estudos sobre tomada de decisão ajudam a compreender como fatores como urgência, distração e sobrecarga de informações aumentam a vulnerabilidade a golpes. Esse conhecimento orienta o desenho de jornadas que favorecem decisões mais conscientes e reduzem ações impulsivas.

Picos de tráfego também aumentam o risco de ataques como DDoS e bots maliciosos?

Sim. Além da fraude transacional, picos de tráfego atraem ataques de infraestrutura, como DDoS (negação de serviço distribuída) e tráfego de bots maliciosos, que podem sobrecarregar sistemas e mascarar tentativas de fraude dentro do volume elevado de acessos legítimos.

Conceitos abordados neste artigo

Autenticação multifator (MFA): exigência de mais de um fator de verificação (algo que o usuário sabe, tem ou é) para confirmar uma identidade, reduzindo o risco de acesso indevido mesmo quando uma senha é comprometida.

Tokenização: substituição de dados sensíveis, como o número de um cartão, por um código (token) sem valor fora do contexto daquela transação, reduzindo a exposição de informações reais em caso de vazamento.

DDoS (negação de serviço distribuída): ataque que sobrecarrega um sistema com um volume massivo de requisições, geralmente distribuídas por uma rede de dispositivos comprometidos (bots), tornando serviços lentos ou indisponíveis justamente em momentos de pico de acesso.

Hub de Verificação Inteligente: arquitetura que centraliza diferentes tecnologias e sinais de verificação de identidade, documentos e comportamento em uma única camada de decisão, permitindo respostas mais rápidas e consistentes a mudanças de risco.

Infraestrutura de confiança: conjunto de processos, dados e tecnologias que sustentam a verificação contínua de identidades e transações, tratando a confiança digital como parte estrutural da operação, e não como uma camada adicional de segurança.

Fraud as a Service (Fraude como Serviço): modelo de negócio clandestino em que grupos criminosos vendem ou alugam infraestrutura para aplicação de golpes, como bases de dados vazadas, kits de phishing e ferramentas de IA generativa, reduzindo a necessidade de conhecimento técnico para cometer fraude.

Engenharia social: técnica de ataque baseada em manipulação psicológica, na qual o golpista constrói uma narrativa convincente para induzir a vítima a fornecer dados, credenciais ou dinheiro voluntariamente, sem explorar nenhuma falha técnica de sistema.

IA generativa: categoria de inteligência artificial capaz de criar conteúdo original, como texto, imagem, áudio ou vídeo, a partir de padrões aprendidos em grandes volumes de dados. No contexto de fraude, é usada tanto para criar ataques mais sofisticados quanto para fortalecer sistemas de defesa.

Nudges: pequenas mudanças no design de uma interface ou processo que orientam o usuário para decisões mais seguras sem restringir suas escolhas, como destacar um botão de cancelamento ou exigir confirmação extra em operações incomuns.

Sistema 1 e Sistema 2: modelo proposto pelo psicólogo Daniel Kahneman para descrever dois modos de pensamento humano. O Sistema 1 é rápido, automático e intuitivo; o Sistema 2 é lento, deliberado e analítico. Decisões tomadas sob pressão tendem a usar o Sistema 1, o que aumenta a vulnerabilidade a golpes.

Teste A/B: método de experimentação em que duas versões de um produto ou fluxo são testadas simultaneamente com grupos de usuários distintos, permitindo identificar qual delas gera melhores resultados antes de uma decisão definitiva.

Phishing: técnica de fraude que utiliza mensagens, e-mails ou sites falsos para induzir a vítima a fornecer dados pessoais, credenciais de acesso ou informações financeiras, geralmente se passando por uma instituição confiável.

Onboarding digital: processo de cadastro e verificação inicial de um novo usuário em uma plataforma digital, que inclui etapas como validação de identidade, coleta de documentos e configuração de conta. É um dos pontos mais sensíveis para equilibrar segurança e experiência.

Fontes e estudos citados

MIT Technology Review Brasil, Special Edition "A arquitetura da verificação inteligente", produzida pelo TEC.Institute em parceria com a Certta.

Agência Brasil, fraudes ligadas a grandes eventos esportivos internacionais e Copa do Mundo 2026: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/fraudes-ligadas-copa-quase-dobram-e-acendem-alerta-para-2026


NordVPN, levantamento sobre golpes ligados à Copa do Mundo de 2026: 34% das pessoas relataram contato com esse tipo de golpe, contra 19% registrados antes da Copa de 2022.


Fórum Econômico Mundial, Global Cybersecurity Outlook 2025: dados sobre riscos cibernéticos, gestão de risco de parceiros e fornecedores e adoção de Inteligência Artificial em cibersegurança. Leia mais em: https://reports.weforum.org/docs/WEF_Global_Cybersecurity_Outlook_2025.pdf

Daniel Kahneman, "Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar".

Richard Thaler, conceito de nudges aplicado à economia comportamental.

Conheça como o Hub de Verificação Inteligente da Certta reúne diferentes tecnologias de verificação em uma única infraestrutura de confiança, capaz de adaptar decisões conforme o comportamento da operação.

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